Causas e fatores de risco da doença renal crônica

Figura 1: Diabetes mellitus, hipertensão, glomerulonefrite, rim policístico são as causas mais comuns de doença renal crônica.

A maioria das doenças renais afetam os néfrons fazendo com que eles percam sua capacidade de filtração. O dano nos néfrons pode acontecer de uma maneira rápida como por exemplo trauma ou envenenamento. Mas, a maioria das doenças renais destroem os rins devagar e silenciosamente (Doença renal crônica). Somente depois de anos ou décadas o dano se torna aparente. A maioria das doenças renais afetam ambos os rins de forma simultânea.

As causas mais comuns da doença renal crônica são:

  • Diabetes mellitus;
  • Hipertensão arterial sistêmica (HAS);
  • Inflamação dos glomérulos (glomerulonefrite) ou dos cálices renais (pielonefrite);
  • Doenças hereditárias como o rim policístico;

Se a sua família apresenta histórico de algum problema renal você está no grupo de risco para doenças renais.



Figura 2: O que o valor da pressão arterial te informa

Hipertensão arterial pode causar doença renal crônica

A pressão arterial é a força do sangue contra as paredes dos vasos sanguíneos, à medida que o coração bombeia sangue para os vasos do corpo. Se essa pressão está muito elevada você pode ter hipertensão arterial. A pressão arterial normal é menor que 120/80mmhg.

Com o passar do tempo a hipertensão arterial causa danos aos pequenos vasos sanguíneos dos rins. Esses danos diminuem a capacidade de filtração dos capilares renais. Sendo assim, a hipertensão pode levar à doença renal crônica.




Figura 3: A pressão arterial alta não é somente uma causa da doença renal crônica como, também, uma consequência dela.

Como você pode controlar a pressão alta?

A pressão arterial alta pode ser tratada efetivamente. O seu médico deve prescrever medicamentos para pressão arterial. Medicamentos como enzimas inibidoras da conversão da angiotensina (ACEi) e bloqueadores do receptor da angiotensina (ARBs) são capacitados para controlar a pressão arterial. Não somente esses medicamentos, mas foi comprovado que eles realizam uma melhor proteção renal do que outros medicamentos que causam uma redução similar da pressão arterial.

Além dos medicamentos, alguns procedimentos são efetivos, como:

  • Perder peso (para chegar ao peso ideal);
  • Praticar atividade física regularmente (3 vezes por semana, por 30min);
  • Reduzir o consumo de álcool;
  • Reduzir o sódio da alimentação;
  • Parar de fumar;

Atenção! Se você for portador da doença renal crônica é de extrema importância manter sua pressão arterial menor que 130/80mmhg.

Categoria Sistólica Diastólica
Ótimo < 120 e < 80
Normal 120-129 e/ou 80-84
Acima do normal 130-139 e/ou 85-89
Grau 1 - Hipertensão 140-159 e/ou 90-99
Grau 2 - Hipertensão 160-179 e/ou 100-109
Grau 3 - Hipertensão >= 180 e/ou >= 110

Tabela 1: Classificação da hipertensão acordo com o guideline do manejo da hipertensão arterial.

Você está em risco para desenvolver hipertensão?

Apesar de qualquer pessoa poder desenvolver hipertensão, aqui seguem os grupos de grande risco:

  • Estar acima do peso/obesos;
  • Sedentários;
  • Ingerem muito sódio;
  • Ingerem muito álcool;
  • Fumante;
  • Portador de Diabetes ou Doença Renal Crônica.



Figura 4: No diabetes, as células não conseguem capturar a glicose do sangue.

Diabetes Mellitus pode causar Doença Renal Crônica

Diabetes mellitus (Diabetes) é uma doença, na qual os níveis de glicose no sangue estão acima do normal. Normalmente, quando você se alimenta o corpo quebra os carboidratos dos alimentos e o transforma em glicose, a qual é transportada pela corrente sanguínea ao longo do corpo. As células necessitam de glicose para produzir energia – esse é seu combustível. A entrada da glicose nas células é mediada pela insulina, um hormônio produzido no pâncreas. Devido a isso, a insulina ajuda a manter a concentração de glicose em níveis ideais.

No Diabetes, a capacidade do corpo em produzir e/ou utilizar a insulina está comprometida. Como resultado, a concentração de glicose no sangue aumenta demasiadamente e as células não recebem glicose. Mesmo que as células estejam “famintas” pela glicose elas precisam trabalhar e isso, se não controlado pode levar a problemas sérios.

Seu médico deve ter lhe contado que existem dois tipos de diabetes, denominados de tipo 1 e tipo 2. O diabetes tipo 1, seu corpo não produz insulina ou a produção é insuficiente. Isso é denominado de deficiência insulínica.

O diabetes do tipo 2, seu corpo produz insulina o suficiente. Porém, suas células estão incapazes de usar essa insulina. Nesse caso, as células só respondem à insulina quando ela está em alta concentração. Isso é denominado de resistência insulínica.

Como que o diabetes afeta os rins?

Uma grande concentração de glicose no sangue de forma constante pode causar complicações em diversos órgãos como o coração, olhos, nervos e rins. Elevadas concentrações de glicose quando adentram nos rins são capazes de danificar os microcapilares. Com esse dano, os rins diminuem sua capacidade de excretar os metabólitos do sangue entrando em um quadro denominado de nefropatia diabética, a qual é considerada uma doença renal crônica.

Se você é portador do diabetes deve controlar a concentração de glicose precisamente para diminuir a probabilidade de desenvolver a doença renal crônica, assim como outras consequências secundárias ao diabetes.

Como saber se você é portador de diabetes? Quais são os sintomas?

O diabetes do tipo 1 tem início súbito, logo na infância ou na adolescência. Pacientes portadores do diabetes do tipo 2, frequentemente, não sabem que são portadores de uma doença. A doença tem um início sútil e, geralmente, é diagnosticada em um exame de sangue de rotina.

Os possíveis sintomas do diabetes são:

  • Sede excessiva (Polidipsia);
  • Aumento da frequência urinária (poliúria, nictúria);
  • Fadiga;
  • Câimbras na panturrilha à noite;
  • Visão turva;
  • Coceira, frequentemente, nos genitais e no ânus, infecções;
  • Impotência;
  • Interrupção do fluxo menstrual (amenorreia);
  • Perda de peso (somente na diabetes tipo 1);
  • Fome excessiva, suor, dores de cabeça (começo da diabetes tipo 2);

Nos casos extremos, os pacientes portadores de diabetes podem manifestar:

  • Desidratação, pele elástica e seca, língua seca e lábios rachados.
  • Pulso rápido;
  • Pressão baixa;
  • Hálito cetônico;
  • Apatia/coma;

Quais testes podem ser feitos para diagnosticar o diabetes?

Um exame simples de sangue para checar a concentração de glicose é a maneira mais fácil de diagnosticar o diabetes. Concentrações normais de glicose estão em torno de 65-100mg/dl em jejum. Concentrações de glicose maiores que 126mg/dl depois de uma noite de jejum ou maior que 200mg/dl depois de duas horas de uma ingestão de 75g de um suplemento de glicose diagnosticam o diabetes.Sua urina também pode ser examinada. A urina não deve conter mais que 15mg de glicose por 100ml e não pode conter corpos cetônicos.




Figura 5: Atividade física ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue e a prevenir doenças cardiovasculares

Como se controla o diabetes?

O diabetes pode ser efetivamente controlado. Mas, isso depende do seu esforço diário. Um controle glicêmico pode ser efetivo com:

  • Uma dieta controlada e saudável;
  • Medicamentos para diabetes (comprimidos ou injeção de insulina);
  • Praticar atividade física regularmente;

Se você é portador da diabetes tipo 1, para controlar a concentração de glicose, além da terapia insulínica, as seguintes recomendações nutricionais devem ser consideradas:




Figura 6: No diabetes tipo 1 e em alguns casos no diabetes do tipo 2, a injeção de insulina depende da concentração de glicose do paciente. Para isso, os pacientes mensuram sua glicemia regularmente.
  • Uma alimentação regulada – especialmente nos carboidratos;
  • Balancear a ingestão diária de carboidratos, lipídeos e proteínas;
  • Dieta equilibrada para manter o peso ideal;

Se você é portador da diabetes tipo 2, o controle da glicose pode ser atingido por meio da medicação (comprimidos ou injeção de insulina). Embora, existam, essas práticas que ajudam no controle da glicemia:

  • Limitar sua ingestão de calorias (se você estiver acima do peso);
  • Perder peso (se você estiver acima do peso);
  • Balancear a ingestão diária de carboidratos, lipídeos e proteínas;
  • Praticar atividade física;



Figura 7: Sangue na urina pode ser sinal de glomerulonefrite (Fonte: Wikipédia)

Glomerulonefrite pode causar doença renal crônica

Glomerulonefrite é uma doença renal, em que os glomérulos (filtradores) ficam inflamados e cicatrizados, perdendo devagar a habilidade de remover os metabólitos e o excesso de água do corpo. Diversos tipos diferentes de doença renal estão agrupados juntos nessa categoria. Glomerulonefrite pode causar doença renal crônica

A presença de sangue, proteínas ou ambos na urina é, frequentemente, o primeiro sinal de glomerulonefrite. Altas concentrações de proteínas podem destruir a função renal vagarosamente. O tratamento foca em diminuir o progresso da doença e prevenir complicações.

Um tratamento apropriado vai ser designado pelo seu médico baseado na sua condição, sintomas e pode incluir controle da pressão arterial e modificação na dieta, assim como a o tratamento dialítico.




Figura 8: Rins policísticos

Rim Policístico um exemplo de doença renal herdada e congênita

Algumas doenças renais são resultados de fatores hereditários. Rim policístico, por exemplo, é uma desordem genética em que diversos cistos crescem nos rins. Os cistos podem vagarosamente substituir o tecido funcional dos rins reduzindo a função renal podendo levar à falência renal.

Alguns problemas renais podem aparecer antes mesmo do nascimento. Exemplos disso, incluem o rim policístico autossômico recessivo, uma forma mais rara de rim policístico, e outros problemas que interfiram na formação dos néfrons. Os sinais de doenças renais nas crianças variam. A criança pode crescer mais devagar, vomitar de forma frequente ou pode apresentar dores nas costas. Algumas doenças renais podem ser silenciosas por meses e até anos.

Se a sua criança tem uma doença renal, seu pediatra deve detectar durante um check-up de rotina. Certifique-se que sua criança visite o pediatra regularmente. Os primeiros sinais de doença renal podem ser hipertensão, menor número de células vermelhas no sangue (anemia) assim como, também, sangue e proteínas na urina. Se o médico encontrar algum desses sintomas, mais exames se tornam necessários como de sangue, urina e exames de imagem. Em alguns casos, o médico pode realizar uma biopsia – removendo um pequeno pedaço do rim para examiná-lo no microscópio.

Algumas doenças renais hereditárias podem não ser detectadas até a idade adulta. A forma mais comum de rim policístico era denominada de rim policístico adulto, pelo fato dos sintomas de pressão alta e falência renal, geralmente, não ocorrem até os pacientes completarem seus vinte, trinta anos. Mas, com os avanços dos diagnósticos por imagem, os médicos são aptos a detectar cistos nas crianças e em adolescentes antes mesmo do início dos sintomas.